Reserva Natural

Em dez contos, Rodrigo Lacerda aborda o tema do “mundo natural”. Mas a “reserva” de seu título poderia evocar também dissimulação e recato, por um lado, e por outro o potencial poder de destruição de tropas em retaguarda. O mundo natural deste livro é um mundo de mistérios, violência, beleza e medo.

Em Reserva natural, a natureza nem sempre é idílio, nem sempre é inferno. Inclui o homem, compete com ele, atiça-o e o ameaça. Formas de vida de uma comovedora e constrangedora simplicidade — bactérias, micróbios, células cancerosas — “executam suas funções biológicas sem prazer ou dor, sem juízo crítico”.
Uma mulher coleciona, em vidrinhos, um pouco do ar de Paris, e humanos intrusos investigam e emulam os jogos sexuais entre as orquídeas e os insetos. Há um momento de enlevo na mesa de um massagista, um momento de alegria para o corpo, e há o pavor da morte junto ao mar, justo quando a vida parece mais intensa e inebriante.
Nesses momentos, e em tantos outros, Rodrigo Lacerda nos mantém em suspenso, pregados ao texto, a esse mundo do qual estranhamente nos distanciamos. A segurança com que assume vozes distintas e a destreza com que nos enreda nessas narrativas mostram, uma vez mais, por que está entre os autores mais relevantes do país.

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